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Palavra da Presidente

Em 2020 tivemos um novo recomeço. Foi um ano que olhamos para trás com saudades, mas, ao mesmo tempo, com muito amor e gratidão. O desejo no início do ano era semear o sentimento de cooperação nas pessoas, de abrir o olhar e enxergar ao redor e ver o mundo com as suas potencialidades e, com isso, resgatar o que pudesse ter sido deixado para trás, cooperando consigo mesmo para conseguir atingir o próximo. Logo no início do ano, em março, veio a notícia da Pandemia do novo coronavírus. Momento como nenhum outro, porém reafirmando o sentimento que sentíamos no início: cuidar de si para poder cuidar do outro. No início tentávamos entender o que estava acontecendo com o país e o mundo.

Olhávamos os noticiários e não conseguíamos acreditar naquilo que estávamos vendo. De repente, vimos todas as portas das nossas quatro unidades fechadas – duas em Samambaia, uma no Riacho Fundo II e outra na Associação Atlética do Banco do Brasil - AABB, local onde atendemos as comunidades de São Sebastião e da Vila Telebrasília. Não foi fácil. Olhávamos a Casa Azul e não imaginávamos um dia ver o que estava em nossa frente: salas fechadas, corredores vazios, sala de dança sem sorrisos e sons, sala de música sem os olhares vibrantes e orgulhosos por conseguir cada nota, refeitório vazio. Muitos olharam para as dificuldades, nós da Casa Azul olhamos para as soluções. Trabalhar no Terceiro Setor nos ensina a ter muita resiliência, e saber trabalhar com adversidades sempre esteve no nosso dia a dia. Assim, replanejamos o que precisava se adequar ao que todos chamavam de ‘novo normal’ e ao perceber e reconhecer todo aquele cenário, resolvemos que não podíamos diminuir as nossas metas ou suspender um sonho ou outro. Entendemos que era o momento de trabalhar e ter ainda mais dedicação às famílias assistidas. Unimos forças e intensificamos as entregas de cestas básicas, cestas verdes (verduras), kits de higiene pessoal, kits de limpeza, máscaras de proteção nas comunidades em que atuamos – ato conjunto com os nossos apoiadores e parceiros que sempre estão conosco. Além disso, entregamos, na nossa Campanha ‘Natal dos Sonhos’, mais de 1.000 cestas básicas – no qual continham também itens natalinos- e brinquedos para nossas crianças. Momento único e muito esperado por todos.

A equipe da Casa Azul foi incansável e dedicada, mesmo com receio, não hesitou em realizar a distribuição de cestas, de atender às famílias, crianças e jovens. Os grupos de trabalhos se reinventaram num cenário assustador. Devido à nova realidade, montamos um estúdio de gravação para produzir as oficinas on-line de raciocínio lógico, música, dança, artes, contação de histórias, jogos e esportes para que os educandos pudessem permanecer com as práticas vivenciadas na Casa Azul. Todos os dias dávamos a oportunidade de cada educando continuar participando ativamente das nossas atividades. Aqueles que não tinham celulares e acesso à internet, oportunizamos as ferramentas para que pudessem estar conosco. Promovemos campanha de arrecadação de celulares e com a ajuda de parceiros, distribuímos chips com acesso à internet e preparamos o material pedagógico.

Não podíamos parar. Pelo contrário, tínhamos que preencher os vazios e, principalmente, fomentar a troca de conhecimentos. Os educadores não mediram esforços para participar dessa nova jornada. Fizemos algumas reformas na estrutura da Sede e trabalhamos incansavelmente na proteção contra o coronavírus. Capacitamos colaboradores, planejamos novas estratégias de gestão e aos poucos o nosso trabalho foi ganhando nova forma. E mesmo sendo um ano difícil, capacitamos e inserimos no mercado de trabalho 116 adolescentes e jovens, fruto do trabalho desenvolvido no nosso programa de aprendizagem. Momento importante, uma vez que a renda de muitos lares é complementada com a renda dos nossos aprendizes. Ganhamos pela terceira vez consecutiva, o prêmio Melhores ONGs do Brasil e estamos mais uma vez entre as 100 melhores. Prêmio que nos deixou imensamente felizes e gratos pelo trabalho que fazemos todos os dias. Reconhecimentos assim nos faz olhar para frente e acreditar que estamos no caminho certo. Trabalhar no Terceiro Setor significa proporcionar melhores serviços à comunidade e nunca desistir! Por isso, estamos aqui gratos por tudo o que conseguimos fazer até agora, e chegamos ao final de 2020 com o sentimento de que fizemos tudo para não deixar desamparados aqueles que tanto precisam de todos nós. Aprendemos muito com tudo o que tivemos que vivenciar.

Descobrimos como lidar com nossos medos, suportamos a saudade, e encaramos a impotência de não poder fazer mais. Passamos por muitos desafios, mas conseguimos superá-los, com o apoio de pessoas comprometidas com a missão da Casa. Por isso, não posso deixar de agradecer primeiramente a Deus, por ter nos dado força. Agradeço ainda, toda a equipe da Casa Azul Felipe Augusto que, de forma perseverante, trabalhou sem medir esforços. Obrigada também aos nossos parceiros, apoiadores, voluntários, contribuintes, colaboradores e toda a comunidade, que diante da situação acreditaram no nosso trabalho e nos ampararam quando foi preciso. Para o ano de 2021, a Casa Azul Felipe Augusto pretende continuar a escrever novas histórias e contribuir em realizações de sonhos. Destaco uma frase do Augusto Cury que diz “Uma existência sem sonhos é como uma semente sem solo”. Esse é o nosso sentimento: dar oportunidade para que todos possam um dia sonhar e acreditar em si mesmos.

Daise Lourenço Moisés - Fundadora e Presidente